Atualizado 20 de Jan. de 2026

Os debates acalorados sobre a inteligência artificial aparecem hoje em todas as áreas do mercado, e claro que no product design não seria diferente. A curiosidade inicial sobre UX e IA rapidamente se transformou em uma necessidade prática de entender o que é possível fazer, como acelerar processos e, principalmente, como obter resultados melhores. 

Mas em um campo tão centrado no ser humano como o UX, onde a IA realmente agrega valor e onde a sensibilidade humana continua insubstituível?

A jornada na Catarinas com a UX e IA começou com a necessidade e vontade de otimizar tarefas onde a IA claramente poderia ajudar, como a consolidação de dados de pesquisas, levantamento de estudos secundários e a simulação de cenários com personas sintéticas.

Ferramentas como GPT, Manus e Gemini se mostraram valiosas para revisar roteiros de pesquisa, organizar grandes volumes de dados de pesquisa e estruturar roadmaps a partir dos nossos direcionamentos e variáveis pré-setadas. A motivação era usar a tecnologia para acelerar processos e acessar informações que antes não estariam tão facilmente disponíveis para as tomadas de decisão.

Além disso, trabalhando lado a lado com inovação, nosso mercado também demandou um aprofundamento sobre como a UX e IA aliados podem entregar experiências significantes quando utilizadas dentro de produtos digitais. Assim nasceu nosso “Cats Lab de IA” onde testamos, usamos e estudamos continuamente recursos e as melhores aplicações nas experiências digitais que a inteligência artificial entrega.

A essência do design humano em contraste com a IA

Apesar da IA ser uma aliada poderosa, certas promessas ainda soam vazias ou rasas, principalmente quando esbarramos em usos indiscriminados. Nos testes que rodamos unindo UX e IA como na construção de interfaces de usuário (UI), por exemplo, frequentemente chegamos em soluções genéricas, que não atingiram nosso padrão de qualidade, mesmo com prompts refinados.

A sugestão de arquiteturas de informação ou identidades visuais de produto ainda parecem genéricas, mostrando que – por hora – não chega à uma entrega final.

Com os recursos de IA atuais no contexto de UX design, delegar a criação de interfaces e fluxos de navegação complexos à IA ainda é precoce. O papel de traduzir achados de pesquisa e dores de usuários em estruturas de navegação coerentes e assertivas é uma tarefa que exige um cuidado e repertório fino que as máquinas ainda não alcançaram.

“O grande diferencial dos profissionais durante o uso da UX e IA é a sensibilidade de olhar para o que a inteligência artificial traz e ter referência suficiente para cruzar com a realidade lida e absorvida pelas lentes humanas + fundamentos do design bem aplicados. Ainda cabe a nós abraçar às vivências, nuances, dores e delícias de ser e entender o humano, aspecto este que sempre fez parte da natureza do design.”

Integrando UX e IA: práticas e riscos no processo de design

Nas nossas experimentações em UX, onde a mais IA brilha, então? Sem dúvida o que mais tem sido relevante é a ampliação e profundidade das análises:

  • Grande capacidade de organizar altos volumes de dados diversos, quali e/ou quanti, como exemplo do case da PMSC
  • Facilidade de detectar padrões e anomalias nos dados de pesquisa (agrupar, sintetizar e rotular temas emergentes rapidamente)
  • Facilidade de extrapolar informações gerando inferências que podem apontar para tendências e novos caminhos
  • Acessar rápido a um vasto arcabouço de conhecimento de várias fontes (inclusive pesquisas prévias realizadas), permitindo perguntas de follow-up e repasse de informações de forma conversacional e didática

Também nas frentes de ideação e construção de direcionamentos de produto:

  • Geração de hipóteses a partir de dados fragmentados, cruzando percepções qualitativas e quantitativas para apontar potenciais causas-raiz de comportamentos
  • Facilidade de exercitar conexões sob diferentes lentes e simular cenários 
  • Atuação como uma parceira de brainstorming, para ampliar e refinar ideias e expandir os pensamentos
  • Apoio na priorização de backlog, sugerindo critérios de valor x esforço com base em objetivos e impacto percebido
  • Simulação de jornadas e personas alternativas, testando como perfis diferentes reagiriam a fluxos, sem depender de prototipagem completa.

A grande conclusão é que o processo criativo ganha muito com tudo isto, pois conseguimos considerar mais elementos na hora de sintetizar e priorizar e muitas vezes fazer cruzamentos inéditos. No entanto, há um risco de empobrecer o pensamento de design quando passamos a aceitar as primeiras saídas sem reflexão crítica e deixamos de colocar de forma cuidadosa inputs de contexto importantes.

O design perde força quando aceitamos direções prontas sem questionar. Quando nos contentamos com as primeiras ideias da IA,  deixamos de provocar, de explorar seus limites e de decidir com consciência o momento de dizer: “ok, daqui pra frente é comigo.” Se nosso cérebro se acostuma (e se acomoda) a ficar impressionado com o que vem da IA, todos perdem.

Quando refletimos: o uso de IA na construção de produtos está tornando as soluções mais homogêneas ou mais estratégicas? A resposta depende de quem (e como) a utiliza IA. Para aqueles que buscam a saída fácil ou usam tais recursos como “entrega ágil”, o resultado será, sim, mais genérico e massificado. Mas para quem explora a potencialidade da UX e IA para organizar dados e ampliar o pensamento, sem dúvida abre um espaço para entregas muito mais estratégicas.

UX e IA na autenticidade e no futuro do design 

A questão da autoria no design feito com IA parece cada vez menos relevante. Se entendemos a IA como uma ferramenta, uma extensão do ser humano, seu uso se torna parte natural e progressiva do processo criativo. A preocupação maior deve ser outra: como garantir que o uso de UX e IA não distancie o design das pessoas reais, de seus contextos, emoções e diversidade?

Esse é um ponto fundamental, especialmente com a popularização de dados e personas sintéticas. O diferencial humano estará sempre na sensibilidade de interpretar o que a IA gera, cruzando com o repertório de vivências e dores reais que só nós, humanos, possuímos.

O que me empolga no futuro da IA em nossas vidas é justamente essa parceria potencial. Particularmente gosto da maneira como posso “jogar” pensamentos semi-estruturados na IA e quadriplicar suas potencialidades depois de um bom bate bola. Este post inclusive nasceu assim: direcionando o ChatGPT para que me fizesse perguntas capciosas focado em extrair minhas próprias reflexões sobre o tema UX e IA.

Por fim a distinção entre “usar IA como ferramenta” e “pensar com IA como parceira de design” também é relevante em muitas rodas de conversa. Hoje vejo a IA mais como uma ferramenta em desenvolvimento, ainda que com um potencial gigantesco para daqui a pouco. Sabemos que esta ainda oferece muita “validação gratuita” em tudo que imputamos, demonstrando um viés perigoso se o ser humano não fizer sua parte de filtrar e direcionar criticamente.

Como uma grande otimista, vejo muito mais ganhos do que perdas com a IA entrando em nossas vidas. Os riscos e pontos cegos existem e não podemos perder de vista as limitações, mas a chave é nunca largar a mão do atento olhar humano no processo.

E aí, como você tem equilibrado o potencial do UX e IA no seu dia a dia? 🤩